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Providência vende a Provinil para a belga Aliaxis

A Companhia Providência decidiu centralizar esforços na produção de não-tecidos, seu carro-chefe, e vendeu para o grupo belga Aliaxis, por R$ 82 milhões, a Provinil, sua divisão de tubos e conexões de PVC. A operação, que será concluída em 40 dias, abre as portas do mercado brasileiro para a Aliaxis, empresa que teve receitas de R$ 2,4 bilhões em 2007 e atua em 50 países. A Providência, por sua vez, tem como meta ser um dos principais fabricantes mundiais de não-tecidos.

Fundada em 1963 como uma indústria de embalagens, a Providência passou a produzir tubos de plástico em 1978 e enfrentava concorrentes de peso, como a Tigre e a Amanco. No fim de 2006, a companhia foi comprada pelos fundos de investimentos AIG Capital, Asas (da família Constantino), Governança & Gestão (do ex-ministro Antônio Kandir) e pelo banco Espírito Santo. Os novos controladores perceberam que precisavam tomar uma decisão: ou investiam para aumentar a fatia de mercado nesse segmento, de cerca de 7% das vendas domésticas, ou procuravam um sócio. Ficaram com a segunda opção.

Em não-tecidos, produto usado principalmente na fabricação de descartáveis hospitalares e higiênicos, como fraldas e absorventes femininos, a Providência é líder no país e tem presença na América Latina e Estados Unidos, onde investe US$ 120 milhões na primeira fábrica em solo estrangeiro. A cidade escolhida foi Statesville, na Carolina do Norte, e a unidade terá duas linhas de produção com capacidade para 40 mil toneladas anuais.

"A companhia decidiu focar a atuação na divisão de não-tecidos, responsável por 82% da receita líquida do 2º trimestre de 2008", comentou o diretor-presidente da empresa, Hermínio de Freitas. Segundo ele, a Providência conta com experiência, elevado nível tecnológico, e condições de ser um dos principais fabricantes do setor. "Vamos aproveitar esse potencial", disse Freitas. Além da unidade em construção nos Estados Unidos, a empresa paranaense tem opção de compra, até 2012, de outras quatro linhas de produção, e o destino delas ainda não está definido.

No segundo trimestre, a Providência teve receita líquida de R$ 127 milhões, sendo R$ 104 milhões com a divisão de não-tecidos e R$ 23 milhões com a área de tubos e conexões. O lucro líquido da empresa no período foi de R$ 13,8 milhões. Os R$ 82 milhões da venda da Provinil irão engrossar o caixa que, no fechamento do semestre, era de R$ 175 milhões.

Freitas explicou que houve uma coincidência de interesses. A Providência queria sair do segmento de tubos e conexões e a Aliaxis queria entrar no país. As negociações entre as duas tiveram início no começo do ano. A Aliaxis vai usar as instalações e equipamentos que eram da Providência, em São José dos Pinhais e, num primeiro momento, vai compartilhar também refeitório, vigilantes e portaria. Ela ficará com cerca de 400 empregados. A Providência passará a ter 570 trabalhadores.

A Aliaxis produz tubos de PVC para transporte de fluidos, usados em construção civil, saneamento e esgoto, indústria e empresas de infra-estrutura. Na América Latina, já tem atuação no México, Porto Rico, Nicarágua, Colômbia e Peru.