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Renar Maçãs aumenta capital e muda o bloco de controle
A Renar Maçãs, empresa do setor de agronegócios, fará um aumento de capital que resultará em uma importante mudança na composição do seu bloco de controle. Por meio da operação, o fundo de participações ("private equity") Endurance Partners Capital entrará na companhia e passará a controlá-la, ao lado dos atuais acionistas. A transação ainda depende de aprovação da assembleia de acionistas.
"Procurávamos uma solução para o endividamento da empresa, e essa foi a melhor que encontramos entre as diversas opções analisadas", afirmou o presidente da Renar Maçãs, Roberto Frey. No fim do primeiro trimestre, a dívida da companhia estava em R$ 40,4 milhões, com crescimento de 30% em relação ao mesmo período de 2008. Com o aumento de capital, a Renar receberá uma injeção de recursos de R$ 20 milhões.
O aumento de capital envolverá a emissão de 40 milhões de ações ordinárias (ON, com voto), pelo preço de R$ 0,50 por papel. Esse valor é bem inferior à última cotação da ação na bolsa, de R$ 2,80.
Dos papéis emitidos, os 20,3 milhões que caberiam aos atuais controladores - Willyfrey Participações e Willy Egon Frey - serão comprados pela Endurance, que desembolsará R$ 10,1 milhões. Isso será possível porque os atuais sócios cederam ao fundo o direito de preferência na aquisição. Além disso, a Endurance poderá subscrevera a parcela que cabe aos minoritários e que não for adquirida.
Caso todos os demais acionistas optem por exercer o direito de preferência - já que o papel será vendido por valor bem abaixo da cotação de mercado -, a fatia da Endurance no capital da Renar será de 25,4%, exatamente igual a dos dois sócios controladores juntos.
Se nenhum minoritário optar pela subscrição, a fatia ficará em 50%, já que a Endurance se comprometeu a comprar todas as "sobras" da operação. Ou seja, o fundo ficará com, no mínimo, 25,4% do capital da Renar Maçãs e, no máximo, 50%. De qualquer forma, será o maior acionista individual da empresa.
Em qualquer cenário, a participação dos atuais controladores cairá de 50,7% para 25,4%. Entretanto, eles continuarão no controle da companhia por meio de um acordo de acionistas firmado com a Endurance e que valerá a partir do fim do aumento de capital.
De acordo com Roberto Frey, a entrada dos recursos na Renar Maçãs vai melhorar a estrutura de capital da empresa, com a consequente redução do nível de endividamento, e fortalecer o capital de giro, viabilizado a concretização do plano de crescimento.
A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 1,5 milhão nos três primeiros meses deste ano, o que significa uma redução de 19% em relação à perda do mesmo período de 2008. A receita líquida até março foi de R$ 10, 2 milhões, com crescimento de 5% na mesma comparação.
Apesar da entrada de um novo sócio no bloco de controle, não haverá oferta pública aos acionistas. Pela Lei das Sociedades por Ações e pelo regulamento do Novo Mercado, onde a empresa está listada, é preciso fazer oferta aos minoritários em situações de troca de controle. Neste caso, porém, houve mudança no bloco de comando, mas os atuais sócios continuarão à frente da empresa.
Criada em 2007, a Endurance tem como sócio o ex-diretor financeiro da Gol Richard Lark Jr., que foi responsável pela abertura de capital da companhia aérea em 2004. Também são sócios André A. de Vivo, ex-presidente da Farmasa e atual membro do conselho de administração da Hypermarcas; Marcos Pereira, ex-diretor da Farmasa e da Hypermarcas; e Adam Peterson.
O foco da Endurance é buscar posições acionárias relevantes em pequenas e médias empresas que apresentem potencial de crescimento.

















